terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O carnaval está acabando - recomeça a realidade

Da fantasia para a realidade
O povo brasileiro é apaixonado por fantasias, mas também mostrou muitas vezes que pode ser enérgico, crente, fiel a ideais e esperanças na Terra e no Céu. A história brasileira tem um roteiro muito diferente de outros países latino-americanos, talvez por isso as diferenças sejam tão grandes. Nossas piores guerras foram internas e as dívidas parecem ser eternas...
A vinda da família imperial portuguesa para esse refúgio tropical (com a proteção da Inglaterra) [ [1], [2]] foi o primeiro passo para a formação de um país centralizador (colônia dos estados mais fortes?) que teria tudo para ser uma federação de estados independentes [3]. A presença da corte lusitana nesse espaço continental viabilizou um Império contínuo, sem oceanos ou cordilheiras separando suas unidades, mas juntando povos e culturas extremamente diversificadas desde seu início.
A separação do Brasil de Portugal foi pura consequência do nacionalismo exacerbado e inconsequente da luta pelo poder em Portugal [4], desunindo um império que teria condições de se desenvolver com mais cores e melhores efeitos. O Brasil isolado [5], contudo, cristalizou uma cultura própria, boa ou má, dependendo dos pontos de vista.
O modelo norte americano de organização institucional e as revoluções europeias e seus teóricos geraram nessa terra uma mistura de amor à liberdade e excessos que oscilam entre ditaduras tolerantes (em relação às elites civis) e processos democráticos.
Acima de tudo a desonestidade de elites mal formadas transformou-se num câncer que nos afeta; falsidades que criam ilusões e panaceias oportunistas, além de partidos políticos completamente destoantes de suas promessas, desmoralizam qualquer proposta ideológica.
Aqui vale, só para lembrar frases e livros sugeridos em comentários publicados (não tão distantes) do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (Esqueçam meus discursos) [6] em sua vida política e acadêmica (Esqueçam o que escrevi) [7] para tentar compreender o dilema de ser presidente do Brasil e ser eleito para tanto...
As grandes revoltas, golpes, quarteladas, revoluções, sublevações nos dois séculos de existência do Brasil “independente” vieram pela inconformidade (muitas vezes corporativa) e falta de boa gerência interna.
O nosso desafio de construir um Brasil melhor está, mais uma vez, em processo de ressaca brutal. A ilusão de que o mal deve ser feito no início de mandatos e de uma vez pode se transformar em calvário para prefeitos, governadores e a Presidência da República (sem falar nas famosas “bases aliadas”, mais do que oportunistas) diante da reação popular, que talvez seja forte apesar da tecnologia criada para desmoralização das manifestações populares após junho de 2013.
As desculpas dos defensores dos atuais governantes não são aceitáveis para se ver com simpatia suas decisões. A partir de 2007 [8] o gerenciamento de nosso país deveria ter sido mais cauteloso pois existiam indicações fortes de crise na Argentina (agora uma realidade triste), Europa e até nos EUA além das mudanças climáticas gradativas e inexoráveis na insistência em modelos alienados de “desenvolvimento”, déficits sucessivos na balança de pagamentos e compromissos do Brasil, finalmente, a descoberta que matou de vez a alegria nacional, a imensidão da corrupção, onde o caso Petrobras é um exemplo do que acontece numa grande estatal, mas é apenas a ponta do iceberg se de fato outros inquéritos se estenderem a muitos possíveis carteis e formas de crime organizado.
Felizmente o mundo ocidental caminha para a criminalização da corrupção, algo inaceitável em sociedades que dependem do mercado de capitais para a sustentação dos fundos de previdência (por exemplo) aqui e em todos os países capitalistas [9], o que justifica a reação enérgica além fronteiras após a Operação Lava Jato e no caso argentino.
A corrupção no Brasil vai muito além dos impactos na CVM e investidores, ela afeta violentamente os custos, a qualidade e a confiabilidade de projetos, obras e operação de concessionárias estatais e privadas. Os processos existentes demonstram que a leniência, omissão e cooperação com os grandes corruptores é nossa desgraça contumaz.
Diante de tudo isso nossos governantes reagem como se os brasileiros fossem idiotas: aumentam impostos, taxas, tarifas, encargos etc. [o que fazem as agências reguladoras [10], ministérios, secretarias?] e não atuam energicamente na otimização do Estado (municípios, estados e União).
Resumindo, o carnaval está no final, as fantasias vão para os guarda-roupas e a realidade voltará em cena, a dúvida é quando? como? onde? quanto?
Os eleitos, alguns reeleitos, terão competência e vontade de corrigir erros e vícios crônicos?

Cascaes
17.2.2015

[1]
L. Gomes, “1808 - Família Real no Brasil,” [Online]. Available: http://querendo-entender-filosofia.blogspot.com.br/2015/02/1808-familia-real-no-brasil.html.
[2]
L. Gomes, “1808,” [Online]. Available: http://livros-e-filmes-especiais.blogspot.com.br/2013/02/1808.html.
[3]
J. C. Cascaes. [Online]. Available: http://o-irredento.blogspot.com.br/.
[4]
L. Gomes, “1822,” [Online]. Available: http://livros-e-filmes-especiais.blogspot.com.br/2013/05/1822.html.
[5]
J. C. Cascaes. [Online]. Available: http://livros-e-filmes-especiais.blogspot.com.br/.
[6]
I. ABDALA, “Esqueçam o que eu disse,” 17 2 1999. [Online]. Available: http://www.istoe.com.br/reportagens/28743_ESQUECAM+O+QUE+EU+DISSE.
[7]
F. D. B. E. SILVA, “Em livro, FHC faz limonada da frase "esqueçam o que escrevi",” 24 4 2010. [Online]. Available: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2404201020.htm.
[8]
“Grande Recessão,” Wikipédia, [Online]. Available: http://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Recess%C3%A3o.
[9]
“Previdência privada,” Wikipédia, [Online]. Available: http://pt.wikipedia.org/wiki/Previd%C3%AAncia_privada.
[10]
“Agências Reguladoras,” [Online]. Available: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ag%C3%AAncia_reguladora.








segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Momentos difíceis e medicina política desacreditada

Um remédio perigoso
Nações desenvolvidas já aprenderam que a liberdade e a democracia conduzem à Justiça, ao Estado de Direito. Todas as nações modernas e cultas vieram de tempos de discriminação, intolerância, segmentação da sociedade e sistemas políticos onde a arbitrariedade a partir de poucos era a forma de governo. Com muitas revoluções e guerras viveram períodos de amadurecimento e sofrimentos indizíveis.
No Brasil o centralismo e o poder de um imperador, aristocratas e latifundiários dos tempos do Império geraram uma República ancorada no corporativismo militar alternativamente ao de grandes proprietários, empresários e políticos, sempre com o discurso da força do governo eleito, a princípio, a bico de pena e cédulas e urnas vigiadas, agora modernas, digitais e carentes de auditagens. Os períodos ditatoriais tiveram amparos externos e adaptações tropicais. Talvez o mais organizado tenha sido o governo militar que iniciou em 1964, ele também gradativamente adquirindo colorações corporativas e de culto a chefes escolhidos no Almanaque do Exército.
Quem de fato reagiu aos excessos de comandantes alucinados foi o Presidente Ernesto Geisel, abrindo o caminho para a redemocratização. Foram momentos que num dia futuro bons historiadores registrarão em detalhes.
O que sentimos naquela época em que o totalitarismo era a receita para alguns continentes?
Os ditadores podem ser pessoas inteligentes, cultas, honestas, nacionalistas, dominadas pelas melhores intenções de bem governar, mas o Brasil não é um pequeníssimo país como existem muitos por aí. Nossa pátria gigantesca é multicolorida, com inúmeras culturas imersas em suas cidades e lugarejos. Para administrar nosso país precisamos de centenas de milhares de pessoas que dominam seus cargos e deles tiram poderes para se valorizarem perante a sociedade.
O resultado dessa dependência de inúmeros subalternos é o padrão de governo que geram, melhor ou pior dependendo do caráter de cada um e desse conjunto nem sempre harmonioso e bem preparado. Os grandes empreiteiros e empresários da época logo aprenderam a ganhar contratos e privilégios...
O estilo autocrático radicalizado pode gerar desvios lamentáveis e a história da Humanidade está cheia de exemplos de incrível bestialidade, inclusive em nações que pareciam cultas, evoluídas, bem formadas.
Com certeza estamos num momento extremamente delicado e frágil de nossa história. Saímos de um processo eleitoral em que tudo o que foi prometido simplesmente está sendo esquecido ao sabor de decisões de gabinete. Estamos sendo humilhados pelos eleitos, que acima de tudo desmoralizam tremendamente a democracia. Pior ainda, graças aos inquéritos da Operação Lava Jato descobrimos que poucos eram razoavelmente santos, e os crimes que grandes empresas e políticos famosos cometeram quebraram o Brasil, deixando-nos em situação assustadoramente frágil, quando, valendo os discursos que eram feitos, deveríamos poder superar crises naturais e internacionais sem grandes sacrifícios.
Com certeza será muito difícil acreditar nas decisões de políticos entronizados em meio a esquemas malditos. O ideal seria que reformas imediatas fossem aprovadas e novas eleições marcadas para breve, antes que os brasileiros se engalfinhem em lutas violentas e de consequências imprevisíveis. O noticiário nacional, contudo, aponta para improvisações a favor de partidos e políticos desmoralizados, pode?
O pesadelo está formado.
Durante os próximos anos o povo brasileiro pagará uma conta elevadíssima: tarifas, taxas, impostos, juros, desemprego, perda de benefícios e a vergonha da percepção de que falhamos tecnicamente, moralmente, politicamente.
Felizmente nem tudo foi ruim nesses últimos anos. O que se fez de correto, contudo, pode se desmanchar e desesperanças com nossa capacidade de governo facilitarem as decisões de desmanche do Estado. O discurso agora é a modernidade velha neoliberal. Abrimos espaço para o entreguismo (já a partir da Constituição de 1988) em detalhes sutis e explícitos, consolidando a perda de empresas e tecnologia nacional, algo tão desejado pelos governos militares para que nosso país tivesse a autonomia que desperdiçou no passado.
Não queremos acreditar em limitações tropicais, precisamos de fé na liberdade e responsabilidade que a democracia pode gerar. O momento exige ações positivas e sinceridade, lealdade para com o nosso povo.
O carnaval ainda não terminou e já vimos demais em 2015. A quarta-feira de cinzas será de ressacas muito diferentes quando muitos sentirão suas contas pessoais prejudicadas por decisões a favor de ações corretivas de desmandos recentes.
Com certeza vamos repetir momentos de dúvidas e decisões estratégicas e emocionais perigosos. Tudo isso em meio ao crime organizado convencional, cada vez mais forte e ousado...

Cascaes
16.2.2015


domingo, 15 de fevereiro de 2015

Democracia em teste

Evolução da sociedade e a democracia
Curitiba se transformou em cenário de conflitos incríveis e que demonstram nitidamente deficiências de governantes, parlamentares e da sociedade “organizada”. Em São Paulo a omissão de associações de profissionais (que se consideram os melhores do Brasil) de pouco serviu para se evitar a possível hecatombe da falta de água. No Brasil, bem, em nossa pátria varonil é só escolher o tema de desgoverno crônico, ou melhor, a gestão indolente e alienada em relação a seu povo, que deveria estar num patamar superior de cultura técnica, democrática e responsável.
O pesadelo nacional começou com o 7 a 1 contra a Alemanha e não parou mais, ou melhor, todas as propostas de aprimoramento dessa “democracia” pararam em algumas barreiras e lá ficam sem que os políticos e a imprensa brasileira forcem soluções.
Isso é privilégio brasileiro? Não, existem situações infinitamente piores em outros continentes, com populações que remontam ao início da espécie humanoide sobre a Terra.
Queremos e podemos ter, contudo, bons governantes, Poder Judiciário eficaz, Justiça Social, enfim, pois a tecnologia século 21 oferece condições de vigilância e padrões de cidadania infinitamente superiores àqueles dos tempos passados.
A palavra Justiça é uma invenção humana para o disciplinamento da sociedade, mas agora pode ser algo mais, fazendo valer muitas leis, ainda que mal feitas, pessimamente regulamentadas e risivelmente fiscalizadas. A Operação Lava Jato [1] está dando um exemplo belíssimo que é esperança do povo brasileiro cansado de ser tratado como idiota e espera ansiosamente a aplicação inteligente e severa de códigos de conduta criados pelos próprios políticos, muitos deles quase empregados das grandes empresas.
O teste da eficácia e validade depende do esgotamento de fórmulas, a nossa pode funcionar?
 Junho de 2013 [ [2], [3], [4] etc.] poderá se repetir com mais energia.
Aliás, um momento da história da Humanidade merece leitura e pesquisas intensas, a Comuna de Paris [5], algo incrível e palco das piores atrocidades possíveis, mas momentos que devem ser vistos como de tentativa de aplicação real de muito do que foi proposto durante a Revolução Francesa, a que desaguou nas coroas napoleônicas (uma reedição equivocada da descrença do direito do povo se governar); quando as etapas anteriores se esgotam no arbítrio, privilégios, incompetência e desonestidade e os seres humanos mais instruídos e preparados para a liberdade, igualdade e fraternidade decidem se autogovernar tudo pode se perder nas vontade dos donos das melhores armas.
Talvez tenhamos na América do Sul um mau resultado da mistura de comportamentos que os livros dos gigantes da Literatura sul americana (com destaque para Mário Vargas Lhosa) expõem com tantos detalhes. Mais ainda, pesquisadores, historiadores, sociólogos e bons jornalistas já produziram material riquíssimo em análises que se transformaram em publicações e filmes especiais, imperdíveis para os brasileiros que podem ler ou pelo menos ver bons filmes [6].
Iniciamos falando do Paraná, que show de empáfia, arrogância e incompetência estamos vendo por aqui. De Curitiba às fronteiras do estado sentimos decisões e atitudes totalmente diferentes daquelas trombeteadas até há poucos meses.  Ou seja, em setembro e outubro do ano passado já era visível o que poderia acontecer, mas os candidatos e seus partidos políticos mentiram, abusaram da demagogia, e agora José? O que devemos fazer?
Precisamos de respeito e competência.
Por exemplo, na área da Educação existe quase um consórcio entre municípios, estados e a União, será tão difícil implementar esse condomínio ou a burocracia infernal de nosso país impede soluções? Que tal pensar seriamente, energicamente no federalismo [7]?
Com mais independência poderemos encontrar boas soluções desde que paremos de exportar impostos e abaixar a cabeça para governantes extremamente distantes de nossas manifestações, tão irrelevantes (para os donos do Brasil) que não aparecem de forma adequada na mídia nacional.
Cascaes
15.2.2015


[1]
“Operação Lava Jato,” [Online]. Available: http://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Lava_Jato.
[2]
G. Fernandes, “Por uma nova compreensão das Jornadas de Junho: formas descentralizadas de ação política e crítica ao “espontaneísmo” analítico,” 12 2 2015. [Online]. Available: http://passapalavra.info/2015/02/102712.
[3]
“Brasil nas ruas,” 13 2 2015. [Online]. Available: http://congressoemfoco.uol.com.br/category/o-brasil-nas-ruas/.
[4]
G. e. Brasília, “71% dos brasileiros não têm partido de preferência, diz pesquisa Datafolha,” 9 2 2015. [Online]. Available: http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/02/71-dos-brasileiros-nao-tem-partido-de-preferencia-diz-pesquisa-datafolha.html.
[5]
J. Rougerie, “LA COMMUNE,” [Online]. Available: http://livros-e-filmes-especiais.blogspot.com.br/2015/02/la-commune.html.
[6]
J. C. Cascaes. [Online]. Available: http://livros-e-filmes-especiais.blogspot.com.br/.
[7]
J. C. Cascaes. [Online]. Available: http://o-irredento.blogspot.com.br/.



sábado, 7 de fevereiro de 2015

Para pensar e lutar

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

NÓS GOSTARÍAMOS DE SER BRASIL


Tatiana Ferreira Cascaes Rodrigues
00:52 (Há 9 horas)
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para João, mim
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NÓS GOSTARÍAMOS DE SER BRASIL!!
Je suis Charlie!! Quantas vezes lemos, assistimos ou ouvimos esta frase nesta semana. Pois é, eu realmente me solidarizo com as reações ao atentado ocorrido contra os jornalistas do jornal satírico Charlie Hebdo que foram brutalmente assassinados esta semana em Paris por terroristas em razão de supostas  charges ofensivas ao profeta Maomé. 

Bem, apesar de entender que se trata de um incidente muito grave, pois fere um dos fundamentos básicos da democracia - a liberdade de expressão, de imprensa, não consegui deixar de me questionar sobre a real importância deste atentado para nosso povo visto que vêm sofrendo atentados bem piores e diários à "democracia", atentado à saúde, à vida, a uma existência digna e em razão de um terrorismo bem pior - a corrupção.Esta mata por roubar dos cofres públicos dinheiro que deveria ser destinado à educação, saúde, saneamento básico moradia, etc., ferindo assim um dos fundamentos basilares da nossa constituição - a dignidade da pessoa humana (crianças, idosos, mulheres, negros, portadores de deficiência, tantas outras minorias assim como pessoas como nós, que apesar de não sermos miseráveis também somos roubados de forma mascarada (aumento de impostos, etc.. )). 
Portanto eu gostaria de dizer: je suis Brasil. Mas Brasil sem corrupção, sem escândalos diários em todos os setores de nossa economia (Petrobras, saúde - máfia das próteses, desvio de verba da merenda escolar, e sei lá mais o que de mais podre deva existir nessa nossa falsa democracia em que o poder emana do povo mas infelizmente não é exercido para favorecê-lo e sim para enriquecer um bando de corruptos, ladrões...
Nós gostaríamos de ser Brasil... Esta é a frase que deveria borbulhar na imprensa, nessa e em todas as semanas até que todos os corruptos devolvessem aos cofres públicos os milhares, milhões de reais surrupiados descaradamente de nossa gente, NÓS GOSTARÍAMOS DE SER BRASIL!!!


Tatiana Cascaes 11/01/2015

sábado, 13 de dezembro de 2014

Pagar impostos e a qualidade do Governo

Pagar impostos, tarifas mais altas, juros absurdos etc.
Talvez a mentira devesse constar como crime eleitoral hediondo. As campanhas apresentam um desfile de promessas onde, algumas, chegam a ser extravagantes e outras além dos poderes dos candidatos ou candidatas se eleitos.
Pagar impostos é muito mais do que simplesmente ver o dinheiro conquistado desaparecer entre formulários, é a raiva de saber que fazemos papel de idiotas após o que denominam “democracia”, quando em horário descontado do Imposto de Renda das emissoras (1), vimos e ouvimos uma coleção de promessas estonteantes.
Excesso de leis mal feitas, decretos, formulários em profusão criam um ambiente de inviabilização de qualquer empresa. O ambiente dos achaques é fortalecido com a tremenda burocracia desse país que acredita que resolve tudo gerando mais documentos e carimbos. Tudo isso não evitou que essa terra varonil já colecionasse montanhas de escândalos desde que o primeiro Governador Geral se instalou por aqui. A burocracia veio de mansinho eventualmente, mas cresceu exponencialmente após 1988 quando os parlamentares e governantes começaram a publicar leis acreditando no formalismo e esquecendo o essencial, o ato doloso [ (2), (3)].
Se falarmos apenas dos tempos republicamos poderemos começar pelo Encilhamento (2) passando por períodos que só não mereceram mais destaque porque as polícias políticas e a compra do silêncio eram um padrão rotineiro em nosso país. Monopólios privados bem camuflados (cartéis) fizeram riquezas monumentais e o Banco do Brasil era pasto dos mais poderosos grupos econômicos de plantão (3).
Para pagar tudo isso impostos, tarifas, taxas, etc. e empobrecimento dos brasileiros.
Filmamos um debate na Câmara de Vereadores de Curitiba sobre a elevação dos impostos municipais (4). Foi uma oportunidade ímpar que agradecemos penhoradamente. Com certeza Curitiba precisa de uma receita maior para viabilizar um crescimento explosivo, que interessa a quem?
Pior, que análises técnicas independentes e objetivas foram feitas? Como a receita fiscal da capital do Paraná administra seu dinheiro? Todas as suas unidades administrativas, técnicas, de prestação de serviços etc. atingiram seus objetivos? Eles existiam?
O que imaginamos numa análise de uma unidade da federação é o que já é possível em qualquer boa empresa provada. Se pagamos, e não como maldosamente dizem : “O governo paga”, queremos ter certeza de que tudo é bem feito, desde o piso das canaletas até os serviços médicos. Falta dinheiro apesar de toda a competência e boa vontade dos gerentes? Então devemos aumentar impostos ou renunciar a alguma coisa.
Vimos as obras para a Copa do Mundo, uma coleção de projetos majoritariamente mal feitos, equivocados, com suspeitas a serem auditadas de norte a sul, leste a oeste do Brasil. Entre outros efeitos desse evento em que perdemos de 7 a 1 ganhamos uma inflação absurda; agora os juros voltam à estratosfera para conter o que tudo isso provocou associado à falta de chuvas e excesso de mal feitos, como notamos no jargão oficial federal. Ou seja, temos uma tremenda reversão de expectativas após as eleições (5), quanta mentira durante a campanha eleitoral...
Em Curitiba, em sua Câmara de Vereadores, um de seus titulares, o vereador Jorge Bernardi propôs a criação de um Conselho de Contribuintes (6). Precisamos? Será mais um Conselho “chapa branca” ou aquela Casa de Leis será capaz de propor e aprovar algo novo e eficaz?
O noticiário está centrado na Operação Lava Jato, finalmente algo realmente eficaz de modo a vencer as barreiras sucessivas que inibem a Justiça real que nosso povo precisa.
Paralelamente aos escândalos morais precisamos entrar no mérito da competência administrativa de nossos eleitos e das concessionárias estatais e privadas, autarquias e repartições públicas.
Que indicadores deveriam ser criados e monitorados anualmente, quando chega o tempo de reajustes de impostos? Quais deveriam ser os critérios de nomeação para todos os gerentes públicos? Como exigir seriedade entre correligionários, companheiros etc. de campanhas e partidos políticos?
O que fazer para termos orgulho de nossa Pátria e seu povo? Uma grande reforma institucional (7)? Educacional? Fiscal etc.?

Cascaes
1.12.2014

1. Brasil, Agência. Decreto garante dedução do imposto de renda para emissoras obrigadas a exibir propaganda. em.com.br ESTADO DE MINAS. [Online] 20 de 8 de 2012. http://www.em.com.br/app/noticia/especiais/eleicoes/eleicoes-bhregiao/2012/08/20/noticias_internas_eleicoes,312775/decreto-garante-deducao-do-imposto-de-renda-para-emissoras-obrigadas-a-exibir-propaganda.shtml.
2. ALESSANDRA DUARTE, CHICO OTAVIO. Brasil faz 18 leis por dia, e a maioria vai para o lixo. O GLOBO Política. [Online] 18 de 6 de 2011. http://oglobo.globo.com/politica/brasil-faz-18-leis-por-dia-a-maioria-vai-para-lixo-2873389.
3. Azevedo, Reinaldo. Atenção, leitores! Eles criam 1.150 leis por dia para infernizar a nossa vida e nos tornar mais improdutivos menos felizes, mais pobres e menos inteligentes . Veja - Blogs e Colunistas. [Online] 25 de 9 de 2011. http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/atencao-leitores-eles-criam-1150-leis-por-dia-para-infernizar-a-nossa-vida-e-nos-tornar-mais-improdutivos-menos-felizes-mais-pobres-e-menos-inteligentes/.
4. Gomes, Laurentino. 1889. Livros e Filmes Especiais. [Online] 2013. http://livros-e-filmes-especiais.blogspot.com.br/2013/11/1889.html.
5. Leitão, Miriam. Saga Brasileira. Livros e Filmes Especiais. [Online] http://livros-e-filmes-especiais.blogspot.com.br/2011/07/saga-brasileira.html.
6. CMC. Leitura, discussão e aprovação da base de cálculo do IPTU e ITBI na Câmara de Vereadores de Curitiba . Engenharia - Economia - Educação e Brasil . [Online] 11 de 12 de 2014. http://economia-engenharia-e-brasil.blogspot.com.br/2014/12/leitura-discussao-e-aprovacao-final-da.html.
7. Cesar Benjamin, economista e editor, entrevista ao programa Debate Brasil . Engenharia - Economia - Educação e Brasil . [Online] 13 de 12 de 2014. http://economia-engenharia-e-brasil.blogspot.com.br/2014/12/cesar-benjamin-economista-e-editor-no.html.
8. Bernardi, Jorge. Bernardi propõe criação do Código de Defesa do Contribuinte. Câmara Municipal de Curitiba. [Online] 11 de 12 de 2014. http://www.cmc.pr.gov.br/ass_det.php?not=23979.
9. Cascaes, João Carlos. O irredento. [Online] http://o-irredento.blogspot.com.br/.



sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Mais impostos? São justos e necessários?

Impostos e democracia O Estado, a comunidade em geral precisa de muitos serviços cuja qualidade dependerá de muitos fatores, sendo o principal a qualidade gerencial par e passo com a ética entranhada na cultura de seu povo. Para administrar existem escolas e cursos nacionais e internacionais de boa qualidade; a questão cultural, entretanto, é mais complexa e exige muito tempo, muito mesmo, para evoluir e atingir bons padrões. Esse processo pode ser acelerado. A Segunda Guerra Mundial teve um efeito positivo sobre muitos países que destruiu e seus sobreviventes reconstruíram suas pátrias com padrões melhores. Após esse período, para demonstrar a importância da liberdade, os países da esfera soviética fizeram o caminho contrário, ou melhor, seus habitantes continuaram alheios a doenças endêmicas das ditaduras (corrupção, incompetência, alienação, violência), algo que ficou mais do que evidente após a abertura democrática, quando, despreparados para o exercício público, seus países em muitos casos, caíram nas mãos do crime organizado com padrões que só eles podem explicar. A transição foi intempestiva e o resultado nós podemos ver em reportagens específicas. No Brasil tivemos períodos ditatoriais explícitos ou bem camuflados após a proclamação da República. O resultado da implantação da democracia sem vontade popular, de cima para baixo, do Realengo para o resto do país, foi desastroso. Em muitas unidades da federação caudilhos e elites extremamente ricas souberam manobrar com relativa maestria a vontade popular, compensando falhas de empatia com exércitos de acólitos e em muitos casos simplesmente fraudando processos eleitorais. Entre os militares, diferenças e vaidades geraram conflitos violentos e prejuízos imensos ao país. No Brasil atual estamos vivenciando um tipo de democracia e administração que merecerá no futuro inúmeros estudos. É boa ou má? Competente ou prestidigitadora? É o que de melhor podemos ter? Estivemos entre vereadores e amigos na Câmara Municipal de Curitiba filmando e tentando ouvir os discursos de seus vereadores (a surdez é um pesadelo). Gravamos discursos, exceto o último do líder da maioria (a bateria acabou). Críticas duras foram feitas à administração municipal, elogios? Não ouvimos. O principal argumento dos defensores da elevação de impostos foi a alegação de falta de recursos, será (1)? Durante a Copa do Mundo sobraram recursos, parece que mal aplicados. Diante da expectativa gerada, perdemos de 7 a 1. Pelo noticiário nacional e viagens pessoais vamos descobrindo obras mal feitas, inacabadas, inoportunas se olharmos em volta e sentirmos que os habitantes de muitas cidades sede da Copa carecem de tudo e precisam desesperadamente de bons serviços essenciais, escolas, creches, segurança permanente etc. e bons administradores públicos. Maldosamente criamos a expressão “O Governo paga”. Paralelamente a frase “Não reaja” e finalmente o rótulo de quase terroristas aos manifestantes de junho de 2013. Qual é o resultado de tudo isso? A operação Lava Jato e o inquérito sobre obras, máquinas e serviços do metrô de São Paulo ilustram o nível de degradação a que chegamos. Talvez tudo isso seja o zênite, o fundo do poço de onde só temos um caminho, sair dele. O essencial é acreditar na liberdade e na capacidade dos brasileiros que agora tem infinitamente mais escolas que na década de 50 do século passado, talvez um período de reflexões e estímulo a ações que geraram o que aconteceu depois (atos e situações boas e más), com todos os seus defeitos criando um Brasil novo, ainda inculto e moleque, mas evoluindo. Brasileirinhos e brasileirinhas são a nossa esperança, talvez quando adultos revertam a lógica do aumento dos impostos que sobem para compensar a falta de qualidade na administração do Brasil, dos estados e seus municípios. Cascaes 11.12.2014 1. Cascaes, João Carlos. Impostos e qualidade das administrações. Perguntar não ofende - Pode incomodar. [Online] 10 de 12 de 2014. .

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Lotta alla corruzione: Raffaele Cantone

Lucha contra la corrupción en América Latina - Peter Eigen, Fundador de ...

Politique: Lutte contre la corruption,protection de la Démocratie

First Anti-Corruption Act in US History Passes

O desafio de refazer o Brasil

Reforma fiscal e dignidade
A história do Brasil (1) e inúmeras análises sociológicas e políticas demonstram que grande parte do Brasil foi e ainda é vítima de elites dominantes cruéis e nefastas, sob todos os aspectos, ao desenvolvimento de imensas regiões do Brasil. Lamentavelmente essas “personalidades” transformaram-se em âncoras dos poderes políticos mais “espertos” e assim de Brasília vemos e ouvimos decisões oportunistas e eleitoreiras que mal contribuem para as mudanças que precisamos para unir o povo brasileiro sob o império da dignidade.
O debate sobre estratégias de transferência de renda poderão acordar aqueles que sustentam ingenuamente essa situação que se reflete em atitudes terríveis, como as denunciadas pela Desembargadora e nossa Acadêmica Luislinda Dias de Valois Santos  (2) ao assumir a cadeira nº6 da ALJA e em palestra na UTFPR em 2013 [ (3) (4)].
Precisamos valorizar riquezas locais combatendo o contrabando de minerais, pedras preciosas e outras riquezas naturais, por exemplo, o que, se feito com eficácia, geraria recursos imensos que deveriam ser taxados devidamente, até para se evitar a destruição dessas regiões, impostos locais em benefício da população lá existente.
Brasília precisa de dinheiro para seus luxos e responsabilidades internacionais, assim como para despesas e investimentos inevitáveis e da União. A competição entre estados mostraria, graças às redes sociais, principalmente, o que existe de errado nos piores locais.
A Bahia e muitos estados do Nordeste estariam na OPEP se o petróleo fosse deles e o cacau bem usado seria fonte de muitas indústrias locais.
Um Brasil refeito (5) poderá ser a alternativa às bolsas humilhantes e um instrumento de conscientização de todos os brasileiros. É lamentável, por exemplo, ver grandes cidades dependendo de favores federais para resolverem seus problemas.
Os serviços essenciais devem ser objeto exclusivo de poder de nossas regiões, nada impedindo acordos de otimização de serviços.
Brasília não funciona e isso está mais do que provado na última administração que o Brasil teve. Processos internacionais poderão, exemplificando, gerar indenizações astronômicas sobre a Petrobras, isso só por aí porque nossos acionistas privados ainda não descobriram uma forma de serem ressarcidos do rombo causado por esses anos perdulários.
Esperaram demais por São Pedro e até agora não temos campanhas de racionalização do uso da energia elétrica. É fácil entender, este insumo essencial virou fator de especulação  federal e falar em racionamento desmoraliza a Presidência da República.
Estamos em tempos de crises perigosíssimas.
O que precisamos?
Nossos deputados e senadores e o povo em geral podem e devem rediscutir o Brasil. O prejuízo já é grande e pode piorar se a Presidência entrar em pânico e começar a comprar apoios impublicáveis.
O problema, entretanto, é muito maior do que “simplesmente” resolver o que se fez de errado. Temos usos e costumes equivocados que precisam ser modificados. No mundo existe uma prateleira de exemplos que podem ser usados para as reformas necessárias, a serem feitas com prudência e serenidade.
Nesse período de desespero o que de pior pode acontecer á a prevalência de interesses escusos em detrimento do que nosso povo precisa para trabalhar e existir honestamente.
O Poder Judiciário terá uma tarefa árdua assim como a Polícia Federal, é a tarefa deles.
Ninguém é santo ou demônio. Podemos renascer. Devemos implorar, pedir ou forçar mudanças de comportamentos de nossos representantes. O futuro de nossos descendentes depende disso. Paralelamente rezar, fazer promessas, pagar penitências, orar, meditar, debater, estudar e procurar soluções, o nó é górdio.
Cascaes
09.12.2014
1. Cascaes, João Carlos. Livros e Filmes Especiais. [Online] http://livros-e-filmes-especiais.blogspot.com.br/.
2. Santos, Desembargadora Luislinda de Valois. Desembargadora Luislinda de Valois Santos na cadeira Nº6. Academia de Letras José de Alencar - notícias. [Online] 27 de 11 de 2014. http://academiadeletrasjosedealencar.blogspot.com.br/2014/11/desembargadora-luislinda-dias-de-valois.html.
3. Santos, Desembragadora Luislinda Dias de Valois. Apresentação da Desembragadora e Dra. Luislinda Dias de Valois Santos em 13 de maio de 2013. Ações ODM e Justiça Social. [Online] 13 de 5' de 2013. http://odmcuritiba.blogspot.com.br/2013/05/apresentacao-da-desembargadora-e-dra.html.
4. Santos, Dra. Luislinda Dias de Valois. Dra. Luislinda Dias de Valois Santos - O racismo e seus resquícios em nossa cultura. Ações ODM e Justiça Social. [Online] 13 de 5 de 2013. http://odmcuritiba.blogspot.com.br/2013/05/dra-luislinda-dias-de-valois-santos-o.html.
5. Cascaes, João Carlos. O irredento. [Online] http://o-irredento.blogspot.com.br/.



sábado, 15 de novembro de 2014

Comparando governantes e a corrupção

Medição da corrupção

Nada mais ridículo do que ver comparações sobre um pesadelo brasileiro: a corrupção. Qual foi o pior?
Nossa história apresenta uma sucessão de atos privilegiados ou de corrupção explícita, a maioria debitada aos entendidos como de esperteza de grandes grupos econômicos que articularam fazedores de leis e executivos, normas, contratos etc. de modo a saírem vencedores.
Temos períodos, contudo, que assustaram.
Nunca se fez uma auditoria severa das privatizações realizadas após o último governo militar e até durante presidentes fortes tivemos dúvidas colossais, como a evolução dos custos de grandes projetos de energia na década de setenta do século passado (isso sem falar na necessidade de tantas grandes usinas). Em 1977, em missão técnica na Alemanha, um diretor da Siemens disse para nós em alto e bom som que nos recebia por cortesia, mas o Brasil já estava “quebrado”, por quê? Com certeza avaliou mal as crises do petróleo, mas também partiu para projetos mal conduzidos e talvez desnecessários. Era proibido criticar...
Collor teve seu mandato cassado [ (1), (2)] mostrando que se deve respeitar o povo brasileiro. Não tivemos mais revoluções sangrentas, mas episódios que assustaram os políticos, como tudo o que aconteceu em junho de 2013.
Antes, em 1960, Jânio Quadros (3) se elegeu usando como símbolo a vassourinha, numa eleição que alertava os detentores do Poder sobre a importância da honestidade. Sua renúncia, contudo, demonstrou que precisamos de competência gerencial, saúde mental e aceitação das regras democráticas. O resultado da renúncia do vigésimo segundo presidente do Brasil foi um período de anarquia que desaguou no movimento de 1964.
O Brasil cresceu muito e a inflação de nossa moeda e de referências estrangeiras dificultam comparações, com tudo isso, quem “roubou” mais?
Felizmente vivemos num país que agora oferece liberdade de crítica e vigilância. Assim podemos questionar desde contratos municipais até os federais. Precisamos, contudo, da evolução dos sistemas formais (que não existiam) de vigilância e do afastamento das campanhas políticas de qualquer espécie de patrocinador que não seja o próprio povo (4). Qualquer doação se transforma em esperança de privilégios...
Nossa grande e maravilhosa surpresa é a atuação da Polícia Federal. Ela faz seu papel com imensa coragem e galhardia.
E o Poder judiciário? Os poderes legislativos?
Precisamos de reformas urgentes, mudanças constitucionais e organizacionais.
Só o Brasil?
Não, mas as nações mais evoluídas trabalham para aprimorar seus ambientes de modo a se imunizarem contra a corrupção. Precisamos de investimentos gigantescos para as reformas necessárias e talvez insuficientes para enfrentarmos os desafios do século 21. Qualquer desperdício é crime contra a Humanidade.
Aqui vemos com tristeza o transporte de produtos de baixo valor em longas estradas, sem a opção do transporte ferroviário de boa qualidade e ainda carente de portos até para a navegação costeira e fluvial. Nossas cidades são ambientes de utilização intensiva de automóveis, nelas faltando tudo que viabilize a vida sem esses monstrinhos.
Saúde, Educação, creches, asilos, Segurança, Saneamento Básico, Água de boa qualidade e até energia estão faltando e o governo se aplica em projetos midiáticos, como o foi a Copa do Mundo; prioridades?
Corrupção direta e indireta, em todos os sentidos da palavra, é um pesadelo nacional, mas provavelmente já foi pior. As castas que nos dominaram foram incapazes de construir um país inteligente. Com lideranças melhores o Brasil seria agora outro país, muito melhor e saudável.

Cascaes
15.11.2014

1. Há 20 anos, Fernando Collor de Mello foi o primeiro presidente do Brasil a sofrer processo de impeachment. Agência Brasil. [Online] 29 de 9 de 2012. http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2012-09-29/ha-20-anos-fernando-collor-de-mello-foi-primeiro-presidente-do-brasil-sofrer-processo-de-impeachment.
2. Junio, Antonio Gasparetto. Fora Collor. InfoEscola. [Online] http://www.infoescola.com/historia-do-brasil/fora-collor/.
3. Jânio Quadros. Wikipédia. [Online] http://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%A2nio_Quadros.
4. Azenha, Luiz Carlos. Com prisões nas empreiteiras, ganha força o financiamento público. VIOMUNDO. [Online] 14 de 11 de 2014. http://www.viomundo.com.br/politica/com-prisao-dos-baroes-das-empreiteiras-ganha-forca-o-financiamento-publico-de-campanhas.html.



Momento de reflexão e de cumprimentos à Polícia Federal

A corrupção e o Brasil
Na história da Humanidade a luta contra os privilégios foi a base de muitas revoltas, movimentos pacíficos e violentos, assim como de repressões brutalíssimas. As elites, via de regra, tinham e têm recursos para se defenderem. O empoderamento das pessoas comuns foi gradativo e cheio de ilusões e atos que materialmente lhes deram parte do poder de autogerenciamento e gozo de Justiça num mundo que sonhavam ser de direitos e deveres iguais.
Sociedades organizadas e mais poderosas sempre tiveram privilégios formidáveis, impondo-nos pessoas desqualificadas em níveis de mando e fruição das maravilhas das riquezas possíveis.
No Brasil o processo de acumulação de riquezas aconteceu, em princípio, a favor de imigrantes portugueses que vieram e em nome da Coroa se apropriaram de florestas, indígenas, africanos, pedras preciosas, ouro e prata e exclusividade de comércio e favores da Corte.
Em Portugal a monarquia optou pelo fundamentalismo religioso, desperdiçando as riquezas que abarrotavam os navios que chegavam de suas colônias.
O cenário da Casa Real Portuguesa e de todas as outras era a da desigualdade absoluta; contra isso a Humanidade começou a se rebelar à medida que sentiu que seus príncipes e reis não eram figuras iluminadas.
No Brasil a Proclamação da República foi isto e a indignação daqueles que defenderam o Brasil na Guerra contra o Paraguai, ato de uma minoria incompreendida e mal liderada pelos primeiros presidentes. A situação cultural do povo brasileiro mais verde e amarelo é contada magistralmente por Mário Vargas Llosa em Guerra do Fim do Mundo, um livro que deveria ser de leitura obrigatória por todos os brasileiros (1) assim como os três livros de Laurentino Gomes [ (2), (3), (4)], além de outros excelentes trabalhos recentes de bons historiadores e sociólogos.
A ascensão gradativa do estado de direitos iguais é um processo longe de terminar. O palavreado usado nessa última campanha demonstrou a imaturidade de nosso povo, carente de tudo, inclusive de escolas e bons professores quando crianças e jovens estudantes.
O atraso cultural afeta tudo, da composição de partidos políticos à compreensão da política, mais ainda, na criação de leis e artigos constitucionais que facilitaram e até estimularam o uso e abuso do poder econômico no processo eleitoral. Nosso povo em sua ignorância aceita e quer ver belas peças de marqueting, ignorando o essencial.
Vemos agora a prisão de grandes executivos e profissionais de Engenharia e Administração de superempresas. Esse espetáculo humilhante teria sido evitado se há algumas décadas houvesse uma Polícia federal eficaz, desmontando desde o início as armações evidentes numa sequência de escândalos gigantescos. Talvez a tecnologia de comunicação fosse uma barreira intransponível e naquelas condições souberam fazer leis que os protegessem. Agora não houve tempo. Os sistemas de processamento de dados, comunicação, gravações etc. surgiram impetuosamente, deixando a descoberto a malta que provavelmente comandava o Brasil de diversas maneiras.
E os brasileiros? Vão fazer o quê? Rezar? Dançar?
Poderemos ter mudanças grandes, de que jeito? Regredindo a ditaduras que odiamos? Alguém gosta de se submeter servilmente aos representantes de grandes chefes, ainda que fardados?
Passamos por um momento extremamente delicado, vamos, sim, rezar, orar, fazer promessas, meditar, agir para encontrarmos o melhor caminho para sair desse lamaçal que a briosa Polícia Federal descobriu com provas eloquentes, afinal não era segredo para ninguém que coisas muito feias aconteciam em grandes projetos federais, estaduais e municipais (estatais, privados, mistos, embaralhados). O processo de privatização após 1988 criou um cenário de construção de classes privilegiadas que humilhariam os revoltosos franceses e ingleses do século 19. Foram competentes na construção do crime organizado em todas as suas formas.
Temos, contudo, a Delação Premiada e gente corajosa, enérgica, livre de vícios degradantes. Incidentalmente existe m boas ferramentas policiais e vontade de salvar o Brasil do pior. É bom não desprezar a revolta popular, mais ainda quando estamos sob altíssimos riscos de falta ou custos elevadíssimos de água, energia, segurança, transporte etc. Nosso povo precisa acreditar na Democracia e suas instituições, entre elas o Poder Judiciário e os sistemas de policiamento.
Parabéns ao Delegado da Polícia Federal de Curitiba e todos os que o apoiaram nesse trabalho.

Cascaes
15.11.2014

1. Lhosa, Mario Vargas. A guerra do fim do mundo. Livros e Filmes Especiais. [Online] http://livros-e-filmes-especiais.blogspot.com.br/2014/08/a-guerra-do-fim-do-mundo.html.
2. Gomes, Laurentino. 1808. Livros e Filmes Especiais, Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil. [Online] http://livros-e-filmes-especiais.blogspot.com.br/2013/02/1808.html.
3. —. 1822 - Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil - um país que tinha tudo para dar errado. Rio de Janeiro : Nova Fronteira Participações S.A., 2010. ISBN 978-85-209-2409-9.
4. —. 1889. Livros e Filmes Especiais. [Online] 2013. http://livros-e-filmes-especiais.blogspot.com.br/2013/11/1889.html.






quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Campanha para a Presidência da República

Política Marrom
A campanha eleitoral mostra muito do que denominamos de “imprensa marrom”[1]. Infelizmente essa postura talvez seja válida, o que seria extremamente lamentável, pois se é verdade metade do que alguns candidatos dizem o Poder Judiciário, os órgãos de fiscalização e policiais falharam muito, isso sem mencionar os batalhões corporativos dentro de tudo o que aconteceu..
Na luta pela Presidência vemos algo mais, o debate de alguns princípios norteadores e programas; ótimo! Precisamos fugir de projetos e estruturas irresponsáveis e mal gerenciados, o que é demonstrável pela realidade cotidiana.
Foge aos interesses eleitorais e demanda conhecimentos específicos a qualidade técnica do Governo em todos os níveis. O que acontece com nossas metrópoles e megalópoles, ou melhor, a situação de nosso povo mergulhado em desfiladeiros de gigantes de concreto mereceria mais atenção e até parece que na disputa pela Presidência os dois grupos, com muitos pecados graves na consciência, fogem desse tema diante do pesadelo urbano criado pela estratégia de desenvolvimento focada em números econométricos e distantes dos índices de qualidade de vida.
O Setor Elétrico merece uma revisão radical e os cuidados com saneamento básico, abastecimento de água, ocupação de solo em regiões metropolitanas, direito de moradia etc. seguem estratégias e legislação romântica e ineficaz.
E a política marrom? Ela deu resultados a favor de muitos candidatos ruins, afinal se todos não prestam o eleitor escolhe aquele que lhe dá migalhas, até quando aceitará brioches?
Precisamos, devemos aprender a usar o Poder Judiciário antes de tudo. Tudo o que aconteceu de errado nos canteiros de obras (principalmente) com certeza era do conhecimento de pessoas sindicalizadas, filiadas a partidos e organizações patronais e de trabalhadores, com instrução suficiente para elaborar denúncias e evitar os desastres que estamos pagando. Onde estavam? Por que silenciaram? E os pequenos e médios empreiteiros que formam o núcleo dos grupos mais conservadores, não souberam ou não quiseram lutar?
Vemos e ouvimos com perplexidade a naturalidade com que os dois candidatos à Presidência da República apontam possíveis conivências, cumplicidade com criminosos e omissão generalizada. Pessoas poderosas há muito tempo, o que esses dois faziam?
Com certeza ministros e senadores sabem como conduzir inquéritos e formular queixas junto ao Poder Judiciário, onde estavam?
Em junho de 2013 o povo esteve durante um mês protestando. Naturalmente logo os poderosos trataram de satanizar os manifestantes. Inventaram até nomes ingleses como se máscaras importadas pudessem levar milhões de jovens e adultos às ruas. Alguns morreram, de todos só lembram um jornalista sem qualquer proteção (onde está a Justiça do Trabalho) que infelizmente foi vítima de um fogueteiro irresponsável (quem já esteve perto de um rojão que explode sabe o que suas bombas podem fazer).
Estivemos na Europa. Vimos poucos monumentos lembrando as lutas populares na terra da guilhotina. Os franceses têm medo de lembrar o furor revolucionário e agora debatem de forma simplória seus problemas existenciais. Corrupção? Lá existe e da Europa partiu a legislação que abriu feridas internacionais e nacionais (aqui, no Brasil). O crime organizado internacional está em luta extremamente bem camuflada para se manter...
Temos dois candidatos, um descendente do saudoso Tancredo Neves, a outra filha adotiva de Lula.
Acreditamos na capacidade de transformação das pessoas. Qualquer um pode renunciar a seu passado criminoso ou ineficaz e se reconstruir. Com essa certeza gostaríamos de saber mais detalhes do orçamente da União, da Política Fiscal, assistencialista, educacional, energética, de desenvolvimento, enfim, o que esses candidatos e seus militantes (futuros ministros, secretários, diretores de estatais, autarquias, PROCONs, etc.) pretendem aplicar ao povo brasileiro, desde que não esqueçam seus discursos e manuais. E os patrocinadores de campanhas? O que exigem?
Por enquanto, vamos deixar a política marrom para o Poder Judiciário?
Cascaes
16.10.2014





[1] Wikipédia - Imprensa marrom é uma expressão pejorativa utilizada para se referir a veículos de comunicação principalmente jornais, mas também revistas e emissoras de rádio e TV) considerados sensacionalistas, ou seja, que buscam elevadas audiências e vendagem através da divulgação exagerada de fatos e acontecimentos, sem compromisso com a autenticidade. É o equivalente em português do termo em lingua inglesa "yellow journalism". Em ambos os casos registam-se transgressões da ética jornalística.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014